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06/12/2018 17:12

Janine Pires: jovem surdocega sonha em ensinar Braille e Língua de Sinais para crianças

A jovem Janine Pires Farias, 26 anos, está no 7º semestre do curso de Pedagogia da Uneb, no Campus IX, em Barreiras. Quanto à escolha da graduação, ela não tem a menor dúvida, tanto que já está decidida sobre o que quer fazer quando se formar, em 2020: “Quero ser professora e ensinar Braille e Língua de Sinais para crianças”, disse. As inspirações para a carreira são a mãe, a professora Sandra Samara Pires Farias, 55, e a professora com deficiência visual, Iracema, que fez parte de sua formação quando criança. Assim como Iracema, Janine também tem deficiência, mas, no caso da moça, trata-se da surdocegueira, em que há perda parcial ou total da audição e visão.

“Janine nasceu de parto prematuro, que causou sequelas. A surdocegueira dela é congênita, adquirida no seu processo de busca pela sobrevivência quando estava na incubadora”, recordou a mãe. A jovem se comunica exclusivamente através de Libras Tátil, uma adaptação da Língua Brasileira de Sinais para os surdocegos por meio do toque nas mãos. Samara contou que a família aprendeu a língua para conseguir se comunicar com Janine, mas que o processo não foi nada fácil.

Desde que Janine nasceu, em Itabuna, a mãe sempre buscou clínicas e espaços educacionais para atender as necessidades da filha. Elas moraram em Salvador por um tempo, mas tiverem que se mudar para Guanambi, no sudoeste baiano, por conta do trabalho do pai da moça. Então, Janine foi matriculada numa escola para surdez do município, que não tinha estrutura para atendê-la, já que ela também não enxergava. “Eu vi a importância de incluir Janine na sociedade, porque havia negação de espaço e subsídio pra ela. Antes dela nascer, eu tinha iniciado um magistério na área, mas acabei desistindo. Então comecei a aprender sobre Libras Tátil por ela”, revelou Samara.

Foi aí que mãe e filha, já residindo em Barreiras, começaram a percorrer, juntas, um longo caminho para que Janine e outras crianças surdas e cegas da cidade tivesse a chance de estudar e aprender a ler e escrever. Na época, Samara foi a São Paulo para conhecer uma instituição de ensino referência em Braille que pudesse, de alguma forma, contribuir para a formação de Janine, mas não obteve uma resposta positiva. "Falaram que não era possível. Mas receber o 'não' foi importante, porque fez a gente buscar o 'sim'. Tivemos bastante resiliência", ponderou a professora.

Samara, então, juntamente com outras professoras, foi à Prefeitura para reivindicar um espaço para as crianças cegas, surdas e surdocegas e, depois de muito esforço, conseguiu alcançar seu objetivo: tornar, inclusiva, a Escola Municipal de Barreiras. Ela, inclusive, capacitou outros educadores e foi professora de Janine até o 2ª ano do Ensino Fundamental, mas decidiu matriculá-la em outras escolas "até pra ela voar". E o voo não parou mais. "Consegui ver, na educação, uma forma de emancipação pra ela. É o caminho mais certeiro pra inclusão", afirmou a mãe, que agora se considera espectadora das conquistas da filha, "só vigiando e cobrando".

Na universidade, a rotina de Janine é bem corrida: ela frequenta todas as disciplinas, acompanhada de um braillista e dois guias intérpretes, profissionais que, respectivamente, fazem a adaptação do material de estudo para o Braille e traduzem, em Libras Tátil, o que os professores falam em sala de aula. Todo o processo acontece na sala multifuncional, um espaço próprio da Uneb para atendimento especializado, onde, também, o professor explica novamente o conteúdo para ela.

Perguntada, pela reportagem, sobre o que significa os estudos em sua vida, Janine é bem direta: "É importante demonstrar que estamos aprendendo. Estudar faz com que as pessoas avancem e continuem se esforçando, sempre em busca de crescimento", finalizou.
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