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Direitos Humanos

11/10/2018 17:10

SJDHDS estreia na Flica com obra literária do Cacique Juvenal Teodoro Payayá

A história indígena do Povo Payayá foi contada hoje (11), na oitava edição da maior feira literária da Bahia: a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), no Recôncavo baiano. Numa exposição realizada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), através da Coordenação de Políticas para os Povos Indígenas (CPPI), o livro “NHEEGUERA”, uma obra que apresenta a literatura, a poética e o cosmovisão indígena, de autoria do Cacique Juvenal Teodoro Payayá, do povo Payayá, foi lançado na Fundação Hansen, espaço Casa do Governo.

Natural da Chapada Diamantina, professor e poeta indígena, o Cacique Juvenal Payayá já publicou diversas obras, entre romances, poemas, contos, artigos e crônicas. Além disso, também é atuante nos direitos dos povos indígenas e conquistas territoriais, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas sociais para as aldeias indígenas não somente da Chapada, mas, também, de todo o território baiano.

Em sua obra NHEEGUERA, que em tupi significa “O recado”, o poeta e escritor Juvenal Payayá apresenta um conjunto de poemas - escritos em diferentes tempos - que aborda discussões e reflexões sobre colonização, luta contra o preconceito, guerras e terras, cosmogonia, cultura, natureza e tradição, a língua originária tupiniquim, entre outros versos sobre a temática indígena.

“Essa escrita é uma literatura indígena a qual eu pertenço e represento. De forma poética e filosófica, mergulho em versos e levo um recado para o mundo: os povos indígenas resistem e continuam lutando para existir. Somos fortes na nossa luta, somos a origem da nossa língua, nossa cultura, nossa história”, declarou Juvenal Payayá em seu discurso no debate promovido antes do lançamento do livro.

“Estamos vivenciando um verdadeiro marco: os povos indígenas produzindo sua própria literatura. Uma verdadeira aula escrita de pura e preciosa poesia, de uma riqueza sobre o homem e a natureza, sobre quem somos e de onde somos. Uma aula sobre o Brasil, o berço do povo indígena, da nossa ancestralidade”, afirmou Cezar Lisboa, secretário da SJDHDS, acrescentando que é a primeira vez que a secretaria tem participação na Feira.

Com as presenças também do Cacique Babau Tupinambá, líder do Povo Tupinambá, de Jerry Matalawê, coordenador da CPPI, e de Kahu Pataxó, presidente do Mupoiba, a SJDHDS levou para a abertura da participação o ritual ‘Toré’, onde índios e índias, no centro da praça da cidade, faziam uma demonstração de seus costumes, crenças e tradições, ao mesmo tempo em que caminhavam em direção ao Hansen. Em seguida, mais de 50 pessoas, entre amigos, líderes de povos e comunidades tradicionais, amantes da literatura e representações governamentais, prestigiaram o debate sobre cultura indígena, uma verdadeira aula de história, desafios e coragem.

Em seu discurso no debate, o líder Tupinambá Babau disse que o povo histórico Payayá está sempre presente em cada verso, mas não é o único povo presente no livro. “Payayá canta os Pataxó, Tupinambá, Kiriri, Tuxá, Kaiapó, canta canta a nossa nação, a nossa terra, o nosso povo, o ser indígena sobre a terra”, acrescentou Babau.

Encerrando o lançamento, a filha de Juvenal, Jumara Payayá, recitou alguns dos poemas contidos na obra e explicou, em forma de prosa, as mensagens que NHEENGUERA traz. “O Cacique Payayá, meu pai, mesmo se definindo um escritor indígena, diferencia-se do modelo estabelecido da nova literatura indígena, pois não faz descrições intrínsecas da vida de um povo, de sua cultura, mas se relaciona com elas numa convivência apaixonada e íntima”, finalizou a filha.

Ao final, o Cacique Juvenal realizou uma sessão de autógrafos ao lado de seus familiares. As comunidades indígenas Tuxá e Karapotó também prestigiaram a oportunidade.
Sobre a Flica - A Flica é um grande evento de arte e cultura, conduzido por diversos autores da literatura nacional e Internacional. Acontece anualmente no mês de outubro apresentando um grande acervo cultural, com exposições literárias, sarau, e arte em pintura. O evento segue até o dia 14, aberto ao público e com oportunidades para compras de obras literárias.
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